Curso Euroderme Excellence será realizado online em abril

A 17ª Edição do Euroderme Excellence Training Program vai realizar-se em formato digital entre 29 e 30 de abril, devido aos efeitos da pandemia. O curso dirigido especialmente aos residentes da especialidade de dermato-venerologia, terá como tema principal “Euroderm Excellence for Future Leaders”.

A formação é organizada pelo Fórum Europeu de Dermatologia e contempla o conhecimento atualizado e as considerações práticas das diferentes áreas da dermato-venerologia.

A organização do evento pretende oferecer aos residentes selecionados a oportunidade para partilhar tempo e experiências com os seus pares de toda a Europa, bem como a oportunidade de interagir com um painel com os principais especialistas em Dermatologia e Venereologia.

O evento proporcionará aos dermatologistas europeus a participarão no curso virtual para partilhar durante 2 dias os seus conhecimentos, no sentido de proporcionar aos participantes o mais alto nível de educação europeia em ciência dermatológica.

Os formadores irão apresentar um curso aprofundado e prático, cobrindo os aspetos mais importantes da prática dermatológica, com o objetivo final de estimular a participação e ajudar a fomentar a formação em Dermatologia.

 

Linhas de orientação para a psoríase: revisão e atualização

As novas guidelines em psoríase englobam a aplicação de novos agentes biotecnológicos e a experiência clínica no tratamento dos doentes com psoríase crónica. O dermatologista Rui Tavares Bello, membro do Grupo Português de Psoríase e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, que participou na sua elaboração, aborda, neste artigo, as principais alterações a essas linhas de orientação.

Quaisquer linhas de orientação traduzem sempre o estado da arte do exercício médico num determinado local e em dado momento. São por isso e, por definição, sujeitas a avaliação, perecíveis e renováveis.

De facto, a evolução dos conhecimentos ao nível da ciência básica, da clínica e da terapêutica da psoríase, as novas evidências fisiopatológicas determinantes da descoberta de outros mecanismos de produção da doença, a experiência clínica acumulada ao longo de anos, incluindo o acesso a estudos e registos que retratam o “mundo real” e, finalmente, a emergência e disponibilização no mercado de novos agentes biotecnológicos, todos terão contribuído para criar a necessidade de elaborar novas linhas de orientação.

O Grupo Português de Psoríase, grupo de especialidade da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, tenta impactar a atividade dos dermatologistas interessados nesta área, concitando à sua participação em trabalhos relevantes. Assim, surgiu esta publicação, outras se seguirão.

Este documento foi gerado com base na avaliação das recomendações e linhas de orientação existentes, em publicações sobre novos agentes biotecnológicos e no valor acrescentado da experiência clínica no tratamento dos doentes com psoríase crónica moderada-a-grave com ou sem comorbidades como a artrite psoriática. Algumas das novidades centram-se em algumas áreas especificas:

  1. Contem algumas considerações sobre a gravidade da psoríase.
  2. Enuncia novos objetivos terapêuticos, mais exigentes no que concerne aos índices potométricos (PASI menor ou igual a 2 e DLQI de 0 a 1) e à própria definição das falências terapêuticas – primária e secundária.
  3. Traz novos parâmetros redefinidos e aperfeiçoados para fundamentar as escolhas terapêuticas.
  4. Dá indicações para dar início à terapia biológica.
  5. Apresenta novos parâmetros para a escolha do agente biológico, incluindo os novos agentes antagonistas da IL-17 e da IL-23.
  6. Engloba considerações sobre as opções mais adequadas para casos especiais (artrite psoriática axial e periférica, grávidas ou lactantes, com risco acrescido a doença neoplásica ou tuberculose, doença inflamatória intestinal, entre outras).
  7. Apresenta novas recomendações para a prescrição e monitorização dos tratamentos, incluindo programas de screening.

A utilização de medicamentos biotecnológicos no tratamento da psoríase está a evoluir positivamente, embora sempre com as habituais dificuldades inerentes à iniquidade no acesso por parte do doente psoriático, em função da sua área de residência, do sistema de saúde em que é seguido, e do proverbial atraso na disponibilização das novas moléculas. Uma nota positiva é, nestes tempos de pandemia, o sucesso relativo do programa de disponibilização do agente terapêutico à residência ou farmácia comunitária dos doentes, assim facilitando a sua habitual penosa deslocação às farmácias hospitalares.

As linhas de orientação dizem respeito stricto sensu aos dermatologistas, os naturais prescritores e médicos assistentes de doentes psoriáticos com doença moderada a grave com indicação para terapia biológica. Contém, no entanto, valiosa e prática informação sobre o seguimento e monitorização dos doentes, de grande relevância para a Medicina Geral e Familiar, tradicional parceira da Dermatologia no acompanhamento dos doentes e suas famílias.

O médico de Medicina Geral e Familiar acompanha o doente e a sua família, na dimensão programática biopsicossocial do seu exercício, e constitui-se em indispensável parceiro do dermatologista para o acompanhamento e monitorização do doente, na sua singularidade, na sua especificidade biológica, que incluem fatores psicossociais e comorbidades. O médico de Medicina Geral e Familiar deve contar com o interlocutor dermatologista, com quem se deve articular para resolver problemas de diagnósticos clínicos ou terapêuticos inesperados. A referenciação deve ser facilitada com efetividade e urgência em situações graves de eritrodermia psoriática, formas pustulosas generalizadas ou formas refratárias ou geradoras de ansiedade ou sintomas depressivos, com prurido incoercível e de significativo impacto psicossocial.

Embora com atrasos no acesso aos novos fármacos, Portugal mantém-se a par do estado da arte do tratamento da psoríase. Distintos dermatologistas portugueses publicam frequentemente em revistas internacionais de impacto e/ou estão incluídos em grupos cooperativos internacionais que exploram a doença nas suas mais variadas dimensões.

Vejo o futuro dos tratamentos com muito interesse e otimismo, assentes em expectativas sólidas: a afinação progressiva de moléculas desenhadas para os mecanismos geradores, desde os primeiros passos, da doença, com o desenvolvimento de estratégias proactivas modificadoras da marcha da doença, em detrimento de abordagens reativas controladoras dos seus agravamentos, também com a crescente interação dos efeitos terapêuticos benéficos sobre a pele doente sobre as mais temidas comorbidades sistémicas, ainda com a redução do rácio custo/benefício nestas abordagens, permitindo a sua generalização e democratização e finalmente com a reintegração biopsicossocial do dermopata psoriático, integral  e de pleno direito, numa sociedade que tantas vezes o menoriza e subestima quando não o rejeita.

 

Brasil: estudo revela impacto da psoríase no verão

No verão, 62% dos doentes com psoríase no Brasil deixam de expor os corpos nas praias e piscinas devido à vergonha e baixa autoestima causada pelas manchas na pele. Esta é uma das principais conclusões do “Relatório sobre Pacientes com Psoríase – Brasil”, realizado pela HSR Health, empresa da holding HSR Specialist Researchers.

Os resultados mostram que o impacto da psoríase vai muito além das lesões cutâneas e eventuais problemas nas articulações. As manchas na pele trazem outros transtornos importantes e podem afetar o relacionamento com o parceiro(a), tendo 62% dos participantes no estudo revelado que essa relação é bastante ou muito problemática. A vergonha é o sentimento mais apontado pelos entrevistados. Para 79% deles, essa é a emoção mais forte relacionada à doença, seguida de baixa autoestima (78%) e tristeza (75%). Especificamente com relação ao verão, somente 38% dos entrevistados afirmam que vão a praias, piscinas e expõem o corpo na estação. Outros 38% evitam esses locais e 24% frequentam, mas não tiram totalmente a roupa.

O estudo ouviu 180 pacientes e as marcas da doença estão presentes em 94% da amostra, independentemente se o tratamento é feito pela rede privada ou pública. Em média, o paciente com a enfermidade possui mais de um terço do corpo com lesões. Entretanto, 27% declaram que possuem mais de 50% da pele comprometida. Apenas 6% disseram que não possuem marcas. Problemas articulares também afetam cerca de um terço dos pacientes com psoríase, caracterizada por artrite psoriática. Quando observados pacientes atendidos via Sistema Único de Saúde (SUS), a percentagem sobe para 41%.

No total, 29% dos psoriáticos não tratam a doença. Entre os 71% que tentam controlar os sintomas há, em média, relatos de dois efeitos colaterais do tratamento. Comichão foi apontada por 27%. Ainda entre as principais consequências estão a perda de cabelo (22%), aumento de peso (20%), dor de cabeça (16%), vermelhidão, calor, prurido ou ondulações na pele no local da injeção (11%) e alergias (11%). Os tipos de cuidado mais comuns envolvem o uso de cremes hidratantes (69%), pomadas (68%), comprimidos (33%) e injeções de medicamentos biológicos (19%). Na maioria dos casos, o acesso aos tratamentos faz-se através da rede particular de hospitais e 22% dos pacientes recorrem exclusivamente ao SUS. O tempo médio que separa o paciente do diagnóstico da procura por ajuda médica é de três anos e oito meses. Segundo os psoriáticos, consultam até três médicos para receber o diagnóstico.

Segundo Bruno Mattos, sócio-diretor da HSR Health e responsável pela investigação, “o paciente leva muito tempo para procurar ajuda médica especializada para o tratamento da psoríase, carregando as lesões muitas vezes por anos. Mesmo pacientes que já receberam o diagnóstico médico, um terço não faz tratamento. Chegou a hora de melhorar a qualidade de vida do psoriático, oferecer os melhores tratamentos e recuperar sua autoestima”.

A HSR Health realizou a pesquisa online entre os dias 1 e 15 de dezembro de 2020, por meio de metodologia quantitativa, englobando 180 pacientes diagnosticados com a doença. O estudo teve abrangência nacional e distribuição entre todas as idades, gêneros e classes sociais. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 7,3 pontos percentuais.

A HSR Health é um Instituto especialista em pesquisa de mercado nos ramos farmacêutico, hospitalar, saúde pública e suplementar. Pertence ao maior grupo independente de pesquisas de mercado da América Latina, a HSR Specialist Researchers.

A HSR Specialist Researchers é a maior empresa independente de pesquisas de mercado do Brasil. Reúne em sua estrutura um grupo de profissionais de nível sênior, especialistas em diversas áreas de pesquisa de mercado, que contam com a estrutura robusta da HSR e inovação tecnológica para gerar inteligência aos negócios dos clientes.

Conselho Internacional da Psoríase emite parecer sobre vacinas para o SARS-CoV-2

No âmbito dos planos de vacinação contra a Covid-19 que estão a ser implementados em vários países, o Conselho Internacional da Psoríase (IPC) emitiu um parecer com advertências para os médicos e outros profissionais de saúde, no que respeita ao impacto das vacinas na terapia sistémica da Psoríase.

Do documento apresentado, fazem parte as seguintes recomendações:

  1. As principais considerações para as vacinas SARS-CoV-2 são as mesmas que para qualquer vacina: as vacinas vivas atenuadas devem ser evitadas se receberem um medicamento imunossupressor/imunomodulador. Deve ter-se em atenção que a eficácia da vacinação pode ser atenuada em pessoas que tomam medicamentos que afetam o sistema imunitário.
  2. Atualmente, as três vacinas disponíveis para serem utilizadas na população são baseadas em ARN (Pfizer/BioNTech, Moderna) ou baseadas em vírus deficientes de replicação (Oxford/AstraZeneca). Deste modo, não são vacinas vivas atenuadas.
  3. Prevemos que a maioria dos doentes com psoríase que não tenham contraindicações ou alguma alergia conhecida a um componente das vacinas, serão recomendados para vacinação o mais rapidamente possível, com base na disponibilidade local e nas orientações dos organismos locais de saúde pública.
  4. Os ensaios realizados até à data não incluíram pessoas que tomam medicamentos que afetam o sistema imunitário e, portanto, os efeitos das vacinas nesta população específica terão de ser estabelecidos.
  5. Muitas pessoas com psoríase levantaram preocupações sobre os potenciais efeitos adversos das vacinas nas suas doenças de pele. No entanto, não há provas de que as vacinas afetem o início da psoríase ou a sua gravidade. Devem ser recolhidos dados de registo para informar se as vacinas SARS-Cov-2 afetam positiva ou negativamente os resultados da psoríase.
  6. É importante que todas as pessoas com psoríase tenham acesso a cuidados adequados. Isto inclui o acesso a vacinas contra o SARS-CoV-2.

O IPC continuará a fornecer atualizações à comunidade dermatológica global à medida que mais informações sobre o SARS-CoV-2, vacinas e o seu impacto na psoríase forem conhecidas.

 

 

 

 

Estudo associa má condição cardiorrespiratória na juventude a maior risco de desenvolver psoríase

Um estudo observacional retrospetivo de grande escala baseado em registos, desenvolvido na Universidade de Gotemburgo, Suécia, identificou uma associação entre má condição cardiorrespiratória em jovens adultos e um elevado risco de psoríase a partir da terceira década de vida.

A psoríase é uma doença autoimune inflamatória sistémica crónica que afeta tanto mulheres quanto homens. O fenótipo mais comum, a psoríase em placas, manifesta-se com lesões cutâneas avermelhadas. Quem sofre de psoríase também costuma ter comorbilidades como obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e depressão. Além disso, cerca de 30% dos doentes psoriáticos desenvolvem uma condição inflamatória das articulações conhecida como artrite psoriática.

Embora a etiologia e patofisiologia desta doença não sejam totalmente claras, sabe-se que a hereditariedade desempenha, em combinação com fatores externos, um papel importante. Reduzidos níveis de atividade física são um fator de risco para a mortalidade, morbidade e desenvolvimento de algumas doenças autoimunes. Porém, a relação entre condição física e o risco de desenvolver psoríase é pouco estudada.

Conduzido por Marta Laskowski, estudante de doutoramento em Dermatologia daquela universidade, este estudo incluiu dados de mais de 1,2 milhões de homens recrutados com 18 anos de idade, para as Forças Armadas suecas, entre os anos de 1968 e 2005. Durante o processo de recrutamento, todos esses jovens foram submetidos ao mesmo teste de condição cardiorrespiratória, que avalia a capacidade de realizar um exercício de intensidade moderada a alta durante um período de tempo prolongado, com uma bicicleta ergométrica.

Os investigadores dividiram os dados, de acordo com a condição cardiorrespiratória dos recrutas, em três níveis (má, média e boa). Através do Registo Nacional de Doentes da Suécia, foram identificados e excluídos do estudo todos os recrutas que já tinham sido diagnosticados com psoríase e artrite psoriática nas articulações.

Entre os 37 e os 51 anos, cerca de 23.000 dos recrutas desenvolveram psoríase e/ou artrite psoriática. Quando analisados os grupos divididos por condição física, observou-se, no grupo de participantes com má condição cardiorrespiratória, que o risco de desenvolver psoríase e artrite psoriática era 35% e 44% maior, respetivamente, por comparação com o grupo de boa condição cardiorrespiratória. O grupo de recrutas em pior condição cardiorrespiratória foi também o menor: pouco menos de 48.000 ou 3,9% de todos os recrutas no estudo. Ao calcular os riscos, os cientistas ajustaram outros para fatores de risco, como índice de massa corporal.

Segundo o que os resultados do estudo sugerem, quanto pior a condição cardiorrespiratória dos recrutas, maior a proporção dos que adoeceram mais tarde com psoríase ou artrite psoriática.

Conforme explicou a primeira autora do estudo, Marta Laskowski, “foi possível observar uma relação entre menor condicionamento físico e aumento do risco de desenvolver psoríase e artrite psoriática, mas não foi possível estabelecer uma relação de causalidade”. Portanto, admitiu ser “prematuro concluir que estas condições de saúde possam ser prevenidas com melhor condicionamento físico”, embora considere importante monitorizar a condição cardiorrespiratória em idades jovens.

Acrescentou ainda que “uma limitação do estudo foi a incapacidade de monitorizar as tendências da condição física dos homens durante os anos entre o recrutamento e o início da doença”. Notou também a carência de dados sobre os hábitos de tabagismo, que é um fator de risco conhecido para psoríase.

 

Congresso da European Academy of Dermatology and Venereology conta com especialistas portugueses

A European Academy of Dermatology and Venereology irá realizar nos próximos dias 6 e 7 de maio o simpósio internacional Spring Symposium, que vai contar com a participação de cerca de uma dezena de  especialistas nacionais, nomeadamente o presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, António Massa, mas também o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

Por favor faça login ou registe-se para aceder a este conteúdo.

 

 

 

 

Patrocínio