O paralelismo entre Portugal e Grécia na gestão da dermatite atópica


Presente no XXI Congresso de Dermatologia e Venereologia, Pedro Mendes-Bastos foi responsável pela apresentação de uma comunicação oral sobre o estudo global MEASURE-AD, onde salientou os dados de Portugal e Grécia e traçou uma comparação. Em entrevista ao Jornal Médico, o especialista do Hospital CUF Descoberta partilha alguns destaques da sua intervenção.

O MEASURE-AD teve como alvo de estudo a dermatite atópica de moderada a grave em 28 países, onde se avaliou o impacto multidimensional da patologia. Pedro Mendes-Bastos decidiu cruzar os contextos de Portugal e Grécia, visto serem países de dimensão aproximada e com um alegado código genético semelhante.

As conclusões retiradas prendem-se com as oportunidades perdidas para o tratamento da dermatite atópica, dado que, apesar de todos os doentes serem de moderados a graves, nem todos estavam sobre tratamentos sistémicos, e viam a sua qualidade de vida comprometida pela patologia.

“A Dermatologia orgulha-se de poder contar com a MGF”

António Massa, presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), proferiu algumas palavras referentes à importância da colaboração entre a Dermatologia e a Medicina Geral e Familiar. No âmbito do XXI Congresso de Dermatologia e Venereologia, o especialista conta ao Jornal Médico que os clínicos de MGF e dermatologistas estão em constante “partilha”.

“A Medicina Geral e Familiar é a primeira linha, é fundamental no screening. Os clínicos de MGF podem contar com a Dermatologia, e a Dermatologia orgulha-se de poder contar com eles”, endereça António Massa.

Explica que a Dermatologia esforça-se para partilhar conhecimentos com a MGF, através de cursos e fóruns, visto que diversas patologias da especialidade necessitam no tratamento de uma gestão otimizada nos cuidados primários. Doenças como a acne, psoríase, eczema atópico, entre outras, têm forte prevalência na população e surgem com frequência na prática clínica.

Para António Massa, a melhoria destes cuidados passa pela observação de imagens – a seu ver a Dermatologia não vive sem imagens – e pelo contacto presencial que considera essencial na gestão deste grupo de doentes.

Dermatite atópica: doentes sem terapêutica sistémica apresentam maior impacto clínico, psicossocial e económico

Uma análise do MEASURE-AD, um estudo da AbbVie a três anos a decorrer em 28 países, demonstrou que as pessoas que sofrem com dermatite atópica moderada a grave (uma doença de pele imunomediada) e que não estavam em tratamento com terapêutica sistémica, apresentaram um maior impacto clínico, psicossocial e económico relativamente aos participantes em tratamento com terapêutica sistémica. Uma análise separada do estudo MEASURE-AD demonstrou que a melhor qualidade de vida – avaliada pela classificação do Dermatology Life Quality Index (DLQI) – e a menor gravidade da doença estão associadas a um menor impacto a nível clínico e laboral.

“Os resultados do estudo MEASURE-AD aumentam a consciência para o impacto contínuo que as pessoas que sofrem de dermatite atópica sentem diariamente, bem como a potencial associação entre a gravidade da doença, a abordagem terapêutica e o impacto geral sobre a qualidade de vida reportada pelo doente”, afirmou Juan Francisco Silvestre, dermatologista no Hospital General Universitário de Alicante, Espanha, e investigador no estudo MEASURE-AD. “Estes dados de vida real sublinham o impacto multidimensional da dermatite atópica e a necessidade de alargar o leque de opções terapêuticas para estes doentes.”
Os resultados destas sub-análises foram apresentados presencialmente no 31.º congresso híbrido da European Academy of Dermatology and Venereology (EADV), em Milão entre os dias 7 e 10 de setembro, sob a forma de comunicação oral e poster.

Estudo de vida real do impacto da dermatite atópica moderada a grave em doentes com ou sem terapêutica sistémica
Esta análise post-hoc, intitulada “Real-World Burden in Patients with Atopic Dermatitis Who Are Candidates for Systemic Therapy and Currently Receiving No Systemic Therapy, No Treatment, Topical Therapy Only, or Systemic Therapy: Results from a Real-World Multicountry Study,” (Impacto da dermatite atópica em doentes candidatos a terapêutica sistémica e atualmente não tratados com terapêutica sistémica, sem tratamento, apenas com terapêutica tópica ou terapêutica sistémica: resultados de um estudo de vida real em vários países), demonstrou que o impacto clínico, psicossocial e económico é mais elevado em doentes adultos com dermatite atópica moderada a grave não tratados com terapêutica sistémica, comparativamente aos doentes tratados com terapêutica sistémica. Os dados sugerem ainda que muitos doentes com dermatite atópica não recebem qualquer tipo de tratamento e apenas metade dos doentes elegíveis a terapêutica sistémica estão a receber este tipo de tratamento.

Os índices médios de gravidade da doença avaliados através de seis parâmetros foram mais elevados nos doentes não tratados com terapêutica sistémica, comparativamente com os que receberam terapêutica sistémica (todos p<0,0001), com os valores mais elevados a serem normalmente registados no subgrupo de doentes não submetidos a qualquer tratamento. Além disso, os doentes tratados com terapêutica sistémica reportaram valores significativamente melhores no DLQI, nos valores médios do Resumo do Componente Mental do Questionário do Estado de Saúde (SF-12 MCS) e do Resumo do Componente Físico (SF-12 PCS), comparativamente com os doentes não tratados com terapêutica sistémica (p<0,0001). O impacto geral na produtividade laboral e as horas de absentismo laboral foram também mais elevados nos doentes não tratados com terapêutica sistémica comparativamente com os doentes tratados com terapêutica sistémica (p<0,0001).

Avaliação da relação entre a qualidade de vida reportada pelo doente e o impacto da doença na dermatite atópica
Uma outra análise do estudo MEASURE-AD intitulada “Associations Between Patient-Reported Outcomes and Disease Severity Measures with Disease Burden in Atopic Dermatitis: Results from a Real-World Multicountry Study” (Associações entre resultados reportados pelo doente e parâmetros da gravidade da doença com impacto na dermatite atópica: Resultados de um estudo de vida real em vários países) avaliou de que forma a melhoria na qualidade de vida do doente e a menor gravidade da doença conduziram, muitas vezes, a um menor impacto clínico e laboral. Nesta análise, os doentes foram classificados de acordo com o impacto na qualidade de vida reportada pelo doente – utilizando o DLQI e classificações de gravidade da doença (categorias da avaliação de eczema orientada para o doente [POEM] e da Atopic Dermatitis Symptom Scale 7-Item Total Symptom Score [ADerm-SS TSS-7]). O impacto clínico foi avaliado com base no Índice de Gravidade e na Escala de Classificação Numérica de Pior Prurido (WP-NRS). O questionário Work Productivity and Activity Impairment-AD (WPAI-AD) avaliou o absentismo, o presentismo, o impacto geral na produtividade laboral e o impacto na atividade.

Os resultados desta análise demonstraram valores mais baixos no EASI e WP-NRS para os doentes com categorias de classificação mais baixas de DLQI, POEM e ADerm-SS TSS-7 (todos p<0,0001). Da mesma forma, o impacto geral na produtividade laboral foi inferior nos doentes com classificação mais baixa de DLQI, POEM e ADerm-SS TSS-7 (todos p<0,0001). As tendências observadas no absentismo, no presentismo e no impacto na atividade foram semelhantes às observadas no impacto geral na produtividade laboral (todos p<0,0001).

“O nosso propósito está nos doentes – as necessidades sentidas por eles alimentam a nossa motivação para avançar a investigação em dermatologia. Os resultados destes estudos ajudam a clarificar o impacto cumulativo da dermatite atópica na qualidade de vida dos doentes”, afirmou Chiedzo Mpofu, vice-presidente de Global Medical Affairs, área de Imunologia, da AbbVie. “É com orgulho que ajudamos a compreender melhor a experiência em vida real de quem sofre de dermatite atópica, encontrando disparidades nos resultados e potenciando esforços para desenvolver e disponibilizar alternativas terapêuticas aos doentes.”

Não perca as VI Jornadas de Dermatologia do Hospital de Santa Maria

Nos dias 24 e 25 de novembro realizam-se as VI Jornadas de Dermatologia do Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, com as inscrições a decorrerem.

No primeiro dia, o início é concretizado com o curso pré-congresso de alopecia em que serão discutidos os seguintes tópicos: “Alopecias não Cicatriciais”, “Alopecias Cicatriciais” e casos clínicos interativos. Na parte da tarde, as atenções viram-se para a primeira parte da temática dedicada à Dermatologia e aos desafios na prática clínica em que se irão debater os seguintes aspetos: “acne e cicatrizes”, “prurido – abordagem clínica” e casos interativos.

Antecedendo a sessão de encerramento, acontece a segunda parte da temática concentrada na Dermatologia e desafios na prática clínica, continuando no dia seguinte, integrando aspetos como a “Abordagem de dermatoses bolhosas”, “Úlcera genital – abordagem e tratamento”, “Unha – Nem tudo são onicomicoses: interno” e “Úlcera de perna: a visão do dermatologista e da Enfermagem”.

Falar-se-á ainda da Dermatologia pediátrica, concretamente acerca da “descamação do couro cabeludo – diagnóstico diferencial”, “hiperhidrose – abordagem terapêutica” e “hidradenite supurativa – quando suspeitar e como diagnosticar.

Vão decorrer ainda dois simpósios.

Aceda ao programa provisório aqui.

Para se inscrever deve aceder ao formulário.

Centro UCARE do CHVNGE cria questionário para saber a prevalência do dermografismo na população

O Centro UCARE do Serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho (CHVNGE) está a participar num estudo multicêntrico internacional sobre a prevalência da urticária dermográfica ou dermografismo na população em geral e criou um questionário para conhecer a prevalência, o impacto desta problemática e ajudar os profissionais de saúde na melhoria da qualidade dos cuidados prestados perante a patologia no futuro. As respostas são anónimas e qualquer pessoa pode responder.

A urticária dermográfica integra o grupo das urticárias indutíveis e além de crónica é muito comum. Clinicamente pode ser identificada através do surgimento de pápulas lineares avermelhadas com prurido após riscar, esfregar, pressionar ou coçar a pele, deste modo induz-se a urticária para que se verifiquem as reações na pele da pessoa. Pela informação constada do questionário, este tipo de dermografismo é “normal e não é patológico” e cada lesão “ocorre por um curto período de tempo”.

Atualmente são seguidos, neste centro hospitalar, cerca de 800 doentes com patologia associada à urticária, sendo que, nas palavras da coordenadora do Centro UCARE do CHVNGE, Dr.ª Isabel Rosmaninho, “este estudo permitirá não só conhecer a prevalência do dermografismo na população em geral e o impacto desta problemática, assim como ajudar os profissionais de saúde a melhorar a qualidade dos cuidados desta patologia no futuro”.

Tenha acesso ao questionário a partir deste link.