Atualidade

Dermatite atópica: doentes sem terapêutica sistémica apresentam maior impacto clínico, psicossocial e económico

Uma análise do MEASURE-AD, um estudo da AbbVie a três anos a decorrer em 28 países, demonstrou que as pessoas que sofrem com dermatite atópica moderada a grave (uma doença de pele imunomediada) e que não estavam em tratamento com terapêutica sistémica, apresentaram um maior impacto clínico, psicossocial e económico relativamente aos participantes em tratamento com terapêutica sistémica. Uma análise separada do estudo MEASURE-AD demonstrou que a melhor qualidade de vida – avaliada pela classificação do Dermatology Life Quality Index (DLQI) – e a menor gravidade da doença estão associadas a um menor impacto a nível clínico e laboral.

“Os resultados do estudo MEASURE-AD aumentam a consciência para o impacto contínuo que as pessoas que sofrem de dermatite atópica sentem diariamente, bem como a potencial associação entre a gravidade da doença, a abordagem terapêutica e o impacto geral sobre a qualidade de vida reportada pelo doente”, afirmou Juan Francisco Silvestre, dermatologista no Hospital General Universitário de Alicante, Espanha, e investigador no estudo MEASURE-AD. “Estes dados de vida real sublinham o impacto multidimensional da dermatite atópica e a necessidade de alargar o leque de opções terapêuticas para estes doentes.”
Os resultados destas sub-análises foram apresentados presencialmente no 31.º congresso híbrido da European Academy of Dermatology and Venereology (EADV), em Milão entre os dias 7 e 10 de setembro, sob a forma de comunicação oral e poster.

Estudo de vida real do impacto da dermatite atópica moderada a grave em doentes com ou sem terapêutica sistémica
Esta análise post-hoc, intitulada “Real-World Burden in Patients with Atopic Dermatitis Who Are Candidates for Systemic Therapy and Currently Receiving No Systemic Therapy, No Treatment, Topical Therapy Only, or Systemic Therapy: Results from a Real-World Multicountry Study,” (Impacto da dermatite atópica em doentes candidatos a terapêutica sistémica e atualmente não tratados com terapêutica sistémica, sem tratamento, apenas com terapêutica tópica ou terapêutica sistémica: resultados de um estudo de vida real em vários países), demonstrou que o impacto clínico, psicossocial e económico é mais elevado em doentes adultos com dermatite atópica moderada a grave não tratados com terapêutica sistémica, comparativamente aos doentes tratados com terapêutica sistémica. Os dados sugerem ainda que muitos doentes com dermatite atópica não recebem qualquer tipo de tratamento e apenas metade dos doentes elegíveis a terapêutica sistémica estão a receber este tipo de tratamento.

Os índices médios de gravidade da doença avaliados através de seis parâmetros foram mais elevados nos doentes não tratados com terapêutica sistémica, comparativamente com os que receberam terapêutica sistémica (todos p<0,0001), com os valores mais elevados a serem normalmente registados no subgrupo de doentes não submetidos a qualquer tratamento. Além disso, os doentes tratados com terapêutica sistémica reportaram valores significativamente melhores no DLQI, nos valores médios do Resumo do Componente Mental do Questionário do Estado de Saúde (SF-12 MCS) e do Resumo do Componente Físico (SF-12 PCS), comparativamente com os doentes não tratados com terapêutica sistémica (p<0,0001). O impacto geral na produtividade laboral e as horas de absentismo laboral foram também mais elevados nos doentes não tratados com terapêutica sistémica comparativamente com os doentes tratados com terapêutica sistémica (p<0,0001).

Avaliação da relação entre a qualidade de vida reportada pelo doente e o impacto da doença na dermatite atópica
Uma outra análise do estudo MEASURE-AD intitulada “Associations Between Patient-Reported Outcomes and Disease Severity Measures with Disease Burden in Atopic Dermatitis: Results from a Real-World Multicountry Study” (Associações entre resultados reportados pelo doente e parâmetros da gravidade da doença com impacto na dermatite atópica: Resultados de um estudo de vida real em vários países) avaliou de que forma a melhoria na qualidade de vida do doente e a menor gravidade da doença conduziram, muitas vezes, a um menor impacto clínico e laboral. Nesta análise, os doentes foram classificados de acordo com o impacto na qualidade de vida reportada pelo doente – utilizando o DLQI e classificações de gravidade da doença (categorias da avaliação de eczema orientada para o doente [POEM] e da Atopic Dermatitis Symptom Scale 7-Item Total Symptom Score [ADerm-SS TSS-7]). O impacto clínico foi avaliado com base no Índice de Gravidade e na Escala de Classificação Numérica de Pior Prurido (WP-NRS). O questionário Work Productivity and Activity Impairment-AD (WPAI-AD) avaliou o absentismo, o presentismo, o impacto geral na produtividade laboral e o impacto na atividade.

Os resultados desta análise demonstraram valores mais baixos no EASI e WP-NRS para os doentes com categorias de classificação mais baixas de DLQI, POEM e ADerm-SS TSS-7 (todos p<0,0001). Da mesma forma, o impacto geral na produtividade laboral foi inferior nos doentes com classificação mais baixa de DLQI, POEM e ADerm-SS TSS-7 (todos p<0,0001). As tendências observadas no absentismo, no presentismo e no impacto na atividade foram semelhantes às observadas no impacto geral na produtividade laboral (todos p<0,0001).

“O nosso propósito está nos doentes – as necessidades sentidas por eles alimentam a nossa motivação para avançar a investigação em dermatologia. Os resultados destes estudos ajudam a clarificar o impacto cumulativo da dermatite atópica na qualidade de vida dos doentes”, afirmou Chiedzo Mpofu, vice-presidente de Global Medical Affairs, área de Imunologia, da AbbVie. “É com orgulho que ajudamos a compreender melhor a experiência em vida real de quem sofre de dermatite atópica, encontrando disparidades nos resultados e potenciando esforços para desenvolver e disponibilizar alternativas terapêuticas aos doentes.”