Investigação

Estudo associa má condição cardiorrespiratória na juventude a maior risco de desenvolver psoríase

Um estudo observacional retrospetivo de grande escala baseado em registos, desenvolvido na Universidade de Gotemburgo, Suécia, identificou uma associação entre má condição cardiorrespiratória em jovens adultos e um elevado risco de psoríase a partir da terceira década de vida.

A psoríase é uma doença autoimune inflamatória sistémica crónica que afeta tanto mulheres quanto homens. O fenótipo mais comum, a psoríase em placas, manifesta-se com lesões cutâneas avermelhadas. Quem sofre de psoríase também costuma ter comorbilidades como obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e depressão. Além disso, cerca de 30% dos doentes psoriáticos desenvolvem uma condição inflamatória das articulações conhecida como artrite psoriática.

Embora a etiologia e patofisiologia desta doença não sejam totalmente claras, sabe-se que a hereditariedade desempenha, em combinação com fatores externos, um papel importante. Reduzidos níveis de atividade física são um fator de risco para a mortalidade, morbidade e desenvolvimento de algumas doenças autoimunes. Porém, a relação entre condição física e o risco de desenvolver psoríase é pouco estudada.

Conduzido por Marta Laskowski, estudante de doutoramento em Dermatologia daquela universidade, este estudo incluiu dados de mais de 1,2 milhões de homens recrutados com 18 anos de idade, para as Forças Armadas suecas, entre os anos de 1968 e 2005. Durante o processo de recrutamento, todos esses jovens foram submetidos ao mesmo teste de condição cardiorrespiratória, que avalia a capacidade de realizar um exercício de intensidade moderada a alta durante um período de tempo prolongado, com uma bicicleta ergométrica.

Os investigadores dividiram os dados, de acordo com a condição cardiorrespiratória dos recrutas, em três níveis (má, média e boa). Através do Registo Nacional de Doentes da Suécia, foram identificados e excluídos do estudo todos os recrutas que já tinham sido diagnosticados com psoríase e artrite psoriática nas articulações.

Entre os 37 e os 51 anos, cerca de 23.000 dos recrutas desenvolveram psoríase e/ou artrite psoriática. Quando analisados os grupos divididos por condição física, observou-se, no grupo de participantes com má condição cardiorrespiratória, que o risco de desenvolver psoríase e artrite psoriática era 35% e 44% maior, respetivamente, por comparação com o grupo de boa condição cardiorrespiratória. O grupo de recrutas em pior condição cardiorrespiratória foi também o menor: pouco menos de 48.000 ou 3,9% de todos os recrutas no estudo. Ao calcular os riscos, os cientistas ajustaram outros para fatores de risco, como índice de massa corporal.

Segundo o que os resultados do estudo sugerem, quanto pior a condição cardiorrespiratória dos recrutas, maior a proporção dos que adoeceram mais tarde com psoríase ou artrite psoriática.

Conforme explicou a primeira autora do estudo, Marta Laskowski, “foi possível observar uma relação entre menor condicionamento físico e aumento do risco de desenvolver psoríase e artrite psoriática, mas não foi possível estabelecer uma relação de causalidade”. Portanto, admitiu ser “prematuro concluir que estas condições de saúde possam ser prevenidas com melhor condicionamento físico”, embora considere importante monitorizar a condição cardiorrespiratória em idades jovens.

Acrescentou ainda que “uma limitação do estudo foi a incapacidade de monitorizar as tendências da condição física dos homens durante os anos entre o recrutamento e o início da doença”. Notou também a carência de dados sobre os hábitos de tabagismo, que é um fator de risco conhecido para psoríase.

 

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