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Inês Aparício Martins: “Tabagismo passivo e hidradenite supurativa” em destaque na Reunião da Primavera da SPDV

Decorreu, entre 8 e 9 de julho, a Reunião da Primavera organizada pela Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV). O evento deu destaque ao trabalho desenvolvido pelos Serviços de todo o país, em sessões de Comunicações Orais para apresentação de estudos que abrangeram tópicos como a doença inflamatória e a alergia cutânea, entre muitos outros. “Tabagismo passivo e hidradenite supurativa” foi o tema do trabalho apresentado por Inês Aparício Martins, do Serviço de Dermatovenereologia do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC). Saiba mais na edição 133 do Jornal Médico.

Os objetivos deste trabalho foram “determinar a prevalência de tabagismo passivo nos doentes com hidradenite supurativa (HS), caracterizar a população de fumadores passivos e investigar o papel do tabagismo (ativo vs. passivo vs. não fumadores) na idade de início e gravidade da doença ao diagnóstico. Para isso, foi realizado um estudo observacional retrospetivo que englobou “doentes acompanhados em consulta de HS do CHULC entre janeiro de 2014 e maio de 2022”.

“Numa fase inicial, foram identificados os doentes que se declararam como não fumadores numa primeira avaliação em consulta e, de seguida, foi realizado um inquérito telefónico a fim de avaliar se estes doentes estavam expostos de alguma forma ao fumo do tabaco”, explicou. Após descrever outros aspetos sobre os métodos utilizados, Inês Aparício Martins indicou que dos 266 doentes com HS incluídos, 71,1% eram fumadores (incluindo tabagismo atual e passado) e 28,9% não fumadores, e nestes últimos “o tabagismo passivo foi identificado em 53,2% dos doentes”, sendo que “esta exposição aconteceu maioritariamente em contexto familiar (87,8%)”.

As conclusões deste estudo foram: “Os não fumadores tendem a ter início da HS em idade mais precoce, o que pode ser explicado pela maior predisposição genética neste grupo de doentes; a exposição tabágica nos doentes com HS poderá ser maior do que o previamente descrito; este trabalho reforça a importância do tabagismo no desenvolvimento da HS, nomeadamente o passivo que, até agora, não estava descrito na literatura e, pela sua prevalência, deve ser inquirido durante a anamnese”.