Atualidade

Miguel Nogueira: “indivíduos com psoríase apresentam alterações no perfil de expressão de diversos miRs”

Com o tema “Impacto do tratamento da psoríase nos níveis de microRNAs”, Miguel Nogueira, do Serviço de Dermatologia e Venereologia do Centro Hospitalar e Universitário do Porto, introduziu o tema da sua comunicação oral, centrada num estudo cujo principal objetivo é “compreender o impacto da epigenética na psoríase”. Esta foi uma das comunicações apresentadas na Reunião da Primavera organizada pela Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), nos dias 8 e 9 de julho.

“Venho apresentar-vos os resultados preliminares de um trabalho a ser desenvolvido em conjunto pelo Serviço de Dermatologia e Venereologia do Centro Hospitalar Universitário do Porto e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar”.

Segundo o palestrante, “a epigenética engloba um conjunto de mecanismos moleculares que regulam a expressão génica, mas que são extrínsecos à sequência de DNA”. Dentro dos vários “mecanismos epigenéticos atualmente conhecidos, os microRNAs (miRs) correspondem a moléculas não codificantes que funcionam como reguladores pós-transcricionais da expressão génica. E, portanto, poderão desempenhar um papel no controlo de diferentes processos biológicos com um impacto significativo na resposta imune”, esclareceu, acrescentando: “Indivíduos com psoríase apresentam alterações no perfil de expressão de diversos miRs, como são exemplos o miR-21 e o miR-146a”.

Assim, procurou-se “avaliar o perfil de expressão de diversos miRs – miR-21 e miR-146ª – em indivíduos com psoríase, comparando com uma população controlo”, bem como “avaliar a variação do perfil de expressão desses miRs em indivíduos com psoríase tratados com adalimumab ao longo de 24 semanas” e, ainda, “identificar possíveis correlações entre os níveis dos miRs avaliados e a resposta clínica observada”. Para isso, de acordo com Miguel Nogueira:

› A gravidade da doença foi avaliada recorrendo a indicadores clínicos PASI e BSA e indicadores analítivos rácios neutrófilos-linfócitos (RNL) e plaquetas-linfócitos (RPL);

› Os níveis séricos de miR-21 e miR-146a foram analisados recorrendo a técnicas de biologia molecular;

› Foi investigada uma possível correlação entre os níveis de miRs com os dados clínicos de gravidade da doença:

› Foram utilizados testes paramétricos e não-paramétricos consoante distribuição de variáveis.

“O nosso estudo demonstrou que indivíduos com psoríase apresentam alterações no perfil de expressão de diversos miRs, comparando com uma população controlo, que a melhoria clínica observada em doentes com psoríase tratados com adalimumab associou-se à alteração do perfil de expressão dos miR-21 e miR-146a”, declarou o palestrante, dando a conhecer outras conclusões: “Existiu uma correlação inversa entre o miR-146a à semana 0 e o índice PASI à semana 24”, foi outra das conclusões tiradas neste estudo que se mantém “a decorrer com um maior número de doentes sob tratamento, visando esclarecer se estes resultados se confirmam com uma maior coorte de doentes e se são sustentados ao longo do tempo (extensão até às 48 semanas), se existem outros miRs que poderão ter relação com a psoríase e que poderão ter um papel como biomarcadores de diagnóstico, e se os diversos miRs poderão servir como biomarcadores de resposta ao tratamento (particularmente, se determinados miRs poderão indicar qual o melhor tratamento para cada doente)”.

O evento deu destaque ao trabalho desenvolvido pelos Serviços de todo o país, em sessões de Comunicações Orais para apresentação de estudos que abrangeram tópicos como a doença inflamatória e a alergia cutânea, entre muitos outros. Saiba mais na edição 133 do Jornal Médico.