Entrevistas

Nuno Brás coloca a inovação no centro da Estratégia 2030 da LEO Pharma

A LEO Pharma Portugal tem vindo a crescer significativamente, mas um balanço que consiste na antecipação da próxima década prevê novas respostas às necessidades médicas não atendidas e um compromisso sustentável. Em entrevista ao Jornal Médico, Nuno Brás afirma ainda que “prevemos poder mudar a vida de milhões de doentes que vivem com dermatite atópica moderada a grave, com uma nova opção terapêutica”.

 

Jornal Médico (JM) | Está há mais de uma década em cargos de liderança na LEO Pharma, quais são os elementos diferenciadores da estratégia da companhia, que colhem hoje frutos patente no crescimento da empresa? 

Nuno Brás (NB) | O elemento diferenciador da LEO Pharma é o facto de ser o único laboratório com uma ampla experiência em Dermatologia médica que cobre todo o espectro de gravidade das doenças de pele de elevada prevalência, como a dermatite atópica e a psoríase, nas suas formas ligeira, moderada e grave. O nosso objetivo é dar resposta às necessidades médicas não cobertas em Dermatologia, incluindo as doenças raras. A dimensão 360º da LEO Pharma permite à companhia disponibilizar medicamentos, aplicações e outro tipo de inovações para colmatar necessidades médicas ainda não atendidas e melhorar a qualidade de vida dos doentes. 

 

JM | E já a antecipar a próxima década, no que consiste a criação da Estratégia 2030?

NB | A Estratégia 2030 levada a cabo pela LEO Pharma, baseada na inovação e no crescimento, vai permitir à companhia tornar-se líder global em Dermatologia médica e uma das cinco mais relevantes da próxima década. Até 2030, a companhia prevê continuar a avançar no portfolio e lançar, a cada dois ou três anos, um novo tratamento ou uma nova indicação para colmatar necessidades médicas ainda não cobertas, em todo o espetro de gravidade da Dermatologia médica. A Estratégia 2030 contempla um crescimento sustentável e o compromisso de diminuir o impacto da nossa atividade no meio ambiente, estabelecendo um objetivo climático em consonância com o Acordo de Paris.

 

JM | A par da Oncologia, a Dermatologia é considerada das áreas da medicina com maior desenvolvimento. O que explica este boost? E que comentário faz ao investimento de novas moléculas para doenças da pele autoimunes e do foro da alergologia?

NB | As doenças da pele podem ser muito graves e crónicas e debilitantes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são a terceira causa mais frequente de doença e uma das dez primeiras causas de incapacidade em todo o mundo. A Dermatologia médica é, por isso, uma das áreas terapêuticas mais atrativas e que mais cresce em todo o mundo. Até 2030, prevê-se que este mercado duplique e atinja valores de mais de 50 mil milhões de euros. As doenças autoimunes são responsáveis por diversas comorbilidades associadas, entre elas, doenças do foro da alergologia, como rinite alérgica, asma ou alergias alimentares, que têm elevado impacto na qualidade de vida dos doentes. Uma vez que as patologias autoimunes não têm cura, o desafio é investir no desenvolvimento de soluções que permitam alargar o leque terapêutico, possibilitando um tratamento mais atempado, seguro e eficaz, que responda às necessidades diárias dos doentes e lhes permita manter a qualidade de vida. 

 

JM |De que forma cumpre a LEO Pharma o “compromisso com a investigação e o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças da pele”?

NB | A LEO Pharma tem como missão colocar-se na pele dos doentes, mantendo um forte compromisso com a investigação e o desenvolvimento de novos fármacos. Atualmente, 23% da faturação da LEO Pharma a nível global é destinada ao investimento em I&D de novas terapêuticas que melhoram a qualidade de vida dos doentes com doenças dermatológicas. O objetivo da LEO Pharma é lançar um novo medicamento a cada dois ou três anos e ser líder mundial em Dermatologia médica. Para isso, o nosso pipeline está orientado para moléculas que prometem ser first in class ou best in class

 

JM | A companhia prevê disponibilizar em breve, em Portugal, o tratamento biológico inovador para doentes adultos com dermatite atópica moderada a grave. O que nos pode adiantar sobre a data de lançamento e sobre os benefícios desta nova molécula?

NB | O lançamento que temos previsto para breve, é o segundo produto biológico do nosso portfolio, indicado para adultos com dermatite atópica moderada a grave, candidatos a terapêutica sistémica. Neste momento, estamos a trabalhar em estreita colaboração com as Autoridades de Saúde para o colocarmos à disposição dos doentes portugueses que vivem com dermatite atópica. Tralocinumab, já aprovado pelas autoridades de saúde europeias, é o primeiro e único medicamento biológico desenvolvido especificamente para inibir a citocina IL-13, que desempenha um papel fundamental subjacente aos sinais e sintomas da dermatite atópica. Esta nova opção, necessária para o tratamento desta doença inflamatória crónica da pele, demonstrou segurança e eficácia, assim como redução dos sinais e sintomas da doença ao longo do tempo. 

 

JM | Dentro da vossa oferta de Dermatologia, quais são os fármacos mais prescritos?
A nossa longa experiência e dedicação à Dermatologia médica e o portfolio especializado em Dermatologia de prescrição de que dispomos faz com que todos os produtos da LEO Pharma sejam uma referência para os dermatologistas. 

NB | Que comentário faz à política de comparticipação para este tipo de medicamentos?
A regulamentação é essencial e inerente a todo o processo de acesso ao mercado, mas deve envolver o doente o mais possível e ter em conta as suas necessidades. O acesso à inovação por parte do doente é essencial e é importante que aconteça em tempo útil, num quadro de sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. 

 

JM | Quais as principais necessidades clínicas não atendidas, que é preciso colmatar, considerando todo o espetro de gravidade da Dermatologia médica?

NB | As doenças inflamatórias crónicas da pele, apesar da sua manifestação cutânea, são doenças sistémicas, com um impacto elevado em vários aspetos da vida do doente, afetando de forma significativa a sua qualidade de vida. A LEO Pharma é atualmente a única empresa farmacêutica que cobre todo o espectro de gravidade da psoríase, com tratamentos que vão dos tópicos até biológicos e que permitem proporcionar a estes doentes dias livres de doença. Até 2030, a companhia prevê lançar, a cada dois ou três anos, um novo tratamento ou uma nova indicação para colmatar outras necessidades médicas ainda não cobertas em Dermatologia médica. A curto prazo, fruto da nossa atividade de investigação, prevemos poder mudar a vida de milhões de doentes que vivem com dermatite atópica moderada a grave, com uma nova opção terapêutica. 

 

JM | Como foram recebidos os produtos tópicos a biológico, desenvolvidos pela LEO Pharma, pelos clínicos?

NB | As soluções da LEO Pharma são, há muito, uma referência para os dermatologistas e para os doentes que delas beneficiam. Graças à dedicação e compromisso que sempre demonstrámos, somos um parceiro de confiança dos dermatologistas

 

JM | Como se pode qualificar a LEO Pharma Portugal no universo internacional da companhia?

NB | A LEO Pharma Ibéria, da qual Portugal é parte integrante, é hoje, orgulhosamente, um dos mercados prioritários da companhia na Europa. Em 2022, a LEO Pharma assinala 25 anos de atividade em Portugal. Ao longo destes anos, a LEO Pharma manteve sempre um compromisso com a investigação e o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças da pele em Portugal e lançou diversos produtos relevantes, desde tópicos a biológicos, como o calcipotriol/ dipropionato de betametasona, uma espuma em spray tópico para o tratamento de psoríase vulgar, assim como o primeiro medicamento biológico para o tratamento da psoríase. 

Em 2021, as vendas da LEO Pharma Portugal aumentaram 4% em relação ao ano anterior, correspondente a 22, 8 milhões de euros, um crescimento muito significativo para o nosso mercado. Este incremento reforça a relevância da nossa Estratégia 2030, o compromisso com os doentes, com os dermatologistas e com a sociedade, e o esforço empresarial que temos levado a cabo desde que demos início a atividade em Portugal, com um crescimento sustentado que nos tem permitido posicionarmo-nos como uma empresa de referência no âmbito da Dermatologia médica.

 

JM | Que cunho pessoal procura deixar na marca da companhia?

NB | Enquanto Diretor Geral da LEO Pharma Ibéria, procuro consolidar a história de sucesso da companhia em Portugal e Espanha, através da nossa Estratégia 2030, e desenvolver ao máximo as competências a nível local para alcançar as metas propostas. Para isso, é essencial manter equipas dedicadas e motivadas, introduzir mais inovação, e promover uma maior proximidade com o doente, com os médicos e com as sociedades científicas.