Estudo do NIH demonstra como certas variações genéticas originam eczema

Uma nova pesquisa, apoiada pelo National Institutes of Health (NIH), delimita como duas variações relativamente comuns num gene chamado KIF3A são responsáveis por enfraquecer a barreira cutânea, permitindo o aumento da perda de água na pele. Este processo promove o desenvolvimento de dermatite atópica (DA)/eczema.

Esta descoberta pode levar à realização de testes genéticos que capacitam pais e médicos a tomar medidas para, potencialmente, proteger bebés vulneráveis do desenvolvimento de DA e de outras doenças alérgicas.

Nesta investigação, os cientistas descobriram que essas variações – polimorfismos de nucleotídeo único (SNP) – alteraram partes do gene KIF3A para uma forma capaz de regular, por via de um processo chamado “metilação”, a taxa na qual um gene é transcrito para a produção de proteínas.

O KIF3A é um gene que codifica uma proteína envolvida na geração de sinais de fora para dentro de uma célula, parte de um complexo sensorial aparelho. Anteriormente, os investigadores identificaram uma associação entre duas variações genéticas no KIF3A e asma em crianças que também tiveram eczema.

A DA é uma doença inflamatória da pele que afeta até 20% das crianças, em países desenvolvidos. Pessoas com esta condição são mais suscetíveis a bactérias, infeções virais e fúngicas da pele e desenvolvem, frequentemente, doenças alérgicas adicionais, como asma.

A equipa de cientistas do NIH confirmou que as células da pele e do revestimento nasal de pessoas com as variantes do SNP KIF3A tinha mais metilação e continha menos blueprints para a proteína KIF3A do que células nas quais KIF3A não tinha SNP. Além disso, os resultados da investigação demonstraram que as pessoas com os locais de regulação criados pelo SNP tinham níveis mais elevados de perda de água pela pele.

Para determinar se níveis mais baixos de KIF3A causaram dermatite atópica, os cientistas estudaram camundongos sem a versão de KIF3A em células da pele e descobriram que os ratos também tiveram aumento da perda de água da pele, devido a uma barreira cutânea disfuncional, apresentando maior probabilidade de desenvolver características de DA.

Os investigadores concluíram que a presença de um ou ambos os SNP em humanos KIF3A leva a menor produção da proteína KIF3A, promovendo a disfunção da barreira que normalmente mantém a pele bem hidratada, aumentando assim a probabilidade de uma pessoa desenvolver eczema.

Pedro Mendes Bastos: “Trabalhar em equipa é o segredo da Medicina atualmente” [com vídeo]

Num webinar promovido pelo Jornal Médico, com o apoio da LEO Pharma, o especialista em Dermatologia e Venereologia Pedro Mendes Bastos identificou os desafios sentidos, diariamente, na abordagem dos doentes com dermatite atópica (DA) e outros eczemas, e partilhou estratégias para adaptar as melhores práticas à realidade.
Por favor faça login ou registe-se para aceder a este conteúdo.

Como responder às necessidades dos doentes dermatológicos nas farmácias? Gabriela Plácido esclarece

No atual contexto de pandemia por Covid-19, o aumento de níveis de stress, o confinamento, a limitação de acesso aos cuidados de saúde, e as exigências de higienização de mãos e de uso de máscaras, conduziram a um número crescente de solicitações de intervenção farmacêutica na área das afeções dermatológicas, sobretudo, nos problemas de pele atópica e psoríase.

Com o intuito de abordar estes e outros desafios na atenção farmacêutica centrada no doente dermatológico, o Farmacêutico News promoveu, no passado dia 18 de junho, um webinar que contou com a participação da farmacêutica comunitária e docente da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL) Gabriela Plácido, que começou por explicar que “são muitas as afeções dermatológicas que surgem na farmácia, desde situações mais simples como picadas de insetos, queimaduras solares ou prurido, a situações mais complexas como acne, rosácea, infeções cutâneas, dermatites ou psoríase”. Ultimamente, advogou, “parece haver um crescimento de casos de patologias cutâneas inflamatórias”, como o são a dermatite atópica (DA) e a psoríase.

Em tempos ditos normais, entenda-se pré-Covid-19, as pessoas com problemas dermatológicos que recorrem à farmácia apresentam diferentes necessidades, para as quais têm que ser adotadas diferentes abordagens por parte do farmacêutico: apresentam-se com uma afeção na pele que causa desconforto, mas que desconhecem e por isso precisam de apoio do farmacêutico; têm já uma patologia cutânea diagnosticada e vão levantar a sua terapêutica; ou têm um diagnóstico prévio com episódio de agudização sintomática e precisam de tratamento de alívio e muitas vezes de orientação.

No primeiro caso – o da apresentação de uma queixa –, “para além de uma avaliação subjetiva de sintomas, é fundamental numa pessoa com afeção dermatológica a observação da zona afetada”, referiu Gabriela Plácido, acrescentando que cabe ao farmacêutico ver e avaliar o aspeto geral da lesão. Só depois de recolhida toda a informação sobre a afeção, “nomeadamente as características especificas e diferenciais das patologias cutâneas e critérios de referenciação, o farmacêutico decide se pode/deve intervir ou se deve referenciar o utente para o médico, por a situação exigir avaliação clínica e eventual terapêutica sujeita a receita médica”, explicou a farmacêutica.

DA e psoríase: Patologias que podem ser confundidas

“Em determinadas circunstâncias ou fases a psoríase e alguns tipos de dermatite podem ser confundidas”, salientou a professora da FFUL, para justificar a necessidade de, face a uma queixa, o farmacêutico saber diferenciar as possíveis afeções cutâneas e identificar a presença de critérios de referenciação específicos, nomeadamente a severidade, localização e extensão das lesões, bem como patologias e/ou terapêutica preexistentes.

“Enquanto que, no geral as dermatites sobretudo ligeiras a moderadas, são passíveis de intervenção na farmácia, com recomendação de terapêutica medicamentosas e/ou adjuvante, a identificação de suspeitos de psoríase, exige sempre referenciação ao médico, por ser uma doença de caracter sistémico, que deve ser diagnosticada e tratada o mais precocemente possível,  uma vez que os resultados serão tanto melhores quanto mais cedo se iniciar a intervenção”, destacou a farmacêutica.

Dispensa de Enstilar pela primeira vez:  Explicar a doença e esclarecer o objetivo do tratamento 

No caso da ida à farmácia para dispensa de um medicamento pela primeira vez, Gabriela Plácido recorreu ao exemplo do Enstilar para salientar a importância do papel do farmacêutico desde logo no esclarecimento adicional sobre a doença (psoríase) e acerca do objetivo do tratamento que, neste caso, passa por “reduzir a inflamação e remover as escamas, o que significa aproximar o aspeto das lesões ao aspeto da pele sã, permitir o controlo da doença e melhorar a qualidade de vida da pessoa”, referiu.

“Quando”, “como” e “quanto” são os aspetos fulcrais no que concerne à utilização e aplicação desta espuma que urge esclarecer junto do doente que vai fazer esta terapêutica pela primeira vez. De acordo com a farmacêutica comunitária, “em relação ao quando, aplicar uma vez por dia, quando der mais jeito (pode ser mais conveniente usar à noite para evitar exposição solar); relativamente ao como, é preciso agitar o recipiente e a uma distância de mais ou menos três centímetros e pulverizar a espuma diretamente na pele, apenas nas zonas com lesões psoriática e deve ficar claro para o doente que o recipiente não pode estar em posição horizontal no momento da pulverização; no que concerne ao quanto, importa evitar utilizar mais de 15 g por dia, o que corresponde à quantidade de espuma que sai do aplicador se pressionado totalmente durante um minuto”.

Igualmente importante, segundo esta profissional de saúde, é que “Enstilar não deve ser aplicado em área superior a 30% da pele corporal; deve ficar claro que o período de tratamento normal é de quatro semanas, mas que o doente deverá seguir as indicações do medico, e que a interrupção, sobretudo se a aplicação for prolongada, exige no geral, uma suspensão gradual; a suspensão abrupta pode desencadear uma crise”.

A este respeito, Gabriela Plácido reforça: “Não há resultados positivos se não houver adesão à terapêutica, de acordo com o que a recomendação do médico. De salientar, que o farmacêutico comunitário tem um papel crucial na promoção da adesão à terapêutica”.

Pandemia obrigou farmácias a serem adaptativas e criativas

No contexto pandémico, particularmente no caso do doente dermatológico, o atendimento farmacêutico pelo postigo dificultou muito a comunicação e observação e no caso das afeções dermatológicas “tornou-se um desafio manter a qualidade e rigor na observação”, referiu a professora da FFUL, esclarecendo que “a alternativa encontrada foi avançar para um modelo de tele-atendimento”.

A pandemia elevou os níveis de ansiedade e stress – importantes fatores desencadeantes e agravantes de doenças dermatológicas, como no caso da psoríase e dermatite atópica – e, paralelamente a isto, as limitações de acesso às consultas programadas, os receios relativos à manutenção da terapêutica (caso dos medicamentos biológicos), o confinamento em casa e o aumento da utilização de agentes de higienização da pele, nomeadamente detergentes e álcool, foram fatores que conduziram ao aparecimento de novos casos e à agudização de casos existentes.

Perante esta realidade e confrontado com estas situações, o farmacêutico “deve ter, antes de mais, uma abordagem tranquilizadora: avaliar a situação, identificar se a situações é inicial ou se se se tem em presença um doente dermatológico diagnosticado, perceber a extensão e grau de severidade das lesões. Em situações de necessidades de exame objetivo – observação – propor vídeo-atendimento ou tele-atendimento com envio de fotografia da lesão para avaliação”.

Em jeito de conclusão, Gabriela Plácido deixou uma mensagem: “os farmacêuticos comunitários têm nos tempos que correm uma oportunidade de ouro para reforçarem o seu papel na comunidade, junto dos doentes, colocando ao serviço dos utentes todo o seu conhecimento, toda a sua capacidade de apoio e de orientação e de transmitir aos outros players e stakeholders aquilo que o farmacêutico comunitário está capacitado para fazer. Dá trabalho, mas traz muita satisfação profissional e pessoal. Mais do que uma mensagem, é um desejo”.

 

 

Dermatite atópica é o tema da 19.ª Reunião da Primavera da SPAIC

A 19.ª Reunião de Primavera da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) será dedicada à dermatite atópica e vai decorrer online, no dia 11 de julho.

A direção da SPAIC, em colaboração com o Grupo de Interesse de Alergia Cutânea, procedeu ao reagendamento da edição e decidiu realizar a Reunião de Primavera em formato digital, “dado o atual quadro de pandemia”.

Na reunião monotemática de Imunoalergologia serão debatidos vários tópicos associados à dermatite atópica, nomeadamente, os desafios do diagnóstico, os scores de avaliação e as várias opções que existem para o tratamento da doença e das comorbilidades que lhe estão frequentemente associadas.

Esta digital meeting não se destina apenas aos sócios da SPAIC, podendo inscrever-se também médicos de outras especialidades que pretendam assistir, sendo necessário o registo no site do evento.

A propósito da iniciativa, a SPAIC refere que a dermatite atópica é uma doença inflamatória crónica, recidivante e pruriginosa da pele, que atinge até 20% das crianças e entre 2 e 8% dos adultos.

“Em cerca de dois terços dos casos começa na infância, podendo, os casos graves, persistirem na idade adulta. Em muitas ocasiões, a dermatite atópica precede o aparecimento de outras doenças atópicas, como a rinoconjuntivite alérgica, a asma e a alergia alimentar”, contextualiza.

Pedro Mendes Bastos explorou desafios da dermatite atópica e de outros eczemas em webinar

Os desafios da dermatite atópica (DA) e outros eczemas estiveram no centro de mais um Conversas na Web, iniciativa promovida pelo Jornal Médico, que contou com a participação do especialista em Dermatologia e Venereologia do Hospital CUF Descobertas, Pedro Mendes Bastos.  No webinar – que decorreu a 28 de maio, com o apoio da LEO Pharma – o também consultor científico da Associação Dermatite Atópica Portugal (ADERMAP) centrou a sua apresentação em três eczemas: a DA, a dermatite seborreica e o eczema asteatótico. No final, o especialista reforçou a importância de existir uma gestão partilhada destes doentes entre a Dermatologia e a Medicina Geral Familiar (MGF)

Por favor faça login ou registe-se para aceder a este conteúdo.

Jornal Médico promove webinar sobre desafios da dermatite atópica em contexto pandémico

Os desafios da dermatite atópica (DA) e outros eczemas, em contexto pandémico, serão abordados, esta quinta-feira, dia 28 de maio, às 21:00, pelo especialista em Dermatologia Pedro Mendes Bastos, em mais um Conversas na Web.

Trata-se de um espaço virtual em formato webinar promovido pelo Jornal Médico com o objetivo de dar voz aos protagonistas da prestação de cuidados de Saúde, e que conta, esta semana, com o apoio da Leo Pharma.

A par da identificação dos desafios sentidos diariamente na abordagem dos doentes com DA e outros eczemas, serão partilhadas estratégias para adaptar as melhores práticas à realidade atual, e abordados o diagnóstico e a terapêutica.

De acordo com dados do Barómetro Covid-19 – um inquérito que está a ser levado a cabo pela Escola Nacional de Saúde Pública –, as consultas de Dermatologia estão no top 3 das especialidades médicas com mais desmarcações de consultas, quer por iniciativa do doente, quer por vontade do serviço.

O receio da infeção pelo SARS-CoV-2 é uma das justificações para que muitas destas pessoas desvalorizem os sintomas e evitem deslocar-se aos serviços de saúde, seja para consultas, urgências e até mesmo à farmácia.

No entanto, os doentes com eczemas, grupo em que se incluem as pessoas com DA e outras formas, continuam a ter necessidades em termos de cuidados de saúde que requerem respostas.

Patrocínio