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Tiago Fernandes Gomes: Fatores associados a alergia de contacto a antifúngicos tópicos

Na área da alergia cutânea, Tiago Fernandes Gomes, do Serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), apresentou o trabalho “Fatores associados a alergia de contacto a antifúngicos tópicos”. Esta foi uma das comunicações apresentadas na Reunião da Primavera organizada pela Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), nos dias 8 e 9 de julho.

Investigar a frequência de alergia de contacto a antifúngicos tópicos e os fatores associados, e avaliar reações concomitantes, foram os objetivos deste estudo retrospetivo realizado na Unidade de Alergia de Contacto do Serviço de Dermatologia do CHUC, entre janeiro de 2009 e abril de 2021.

Foram incluídos “doentes com dermatites possivelmente induzidas ou agravadas por antifúngicos tópicos que tivessem realizado testes epicutâneos especificamente” para esses fármacos, e também doentes com dermatites do pé submeti[1]dos a testes epicutâneos com a série de calçado, que incluiu econazol e miconazol”.

“Os testes foram realizados de acordo com as normas da Euro[1]pean Society of Contact Dermatitis (ESCD), com leituras realizadas no segundo e no quarto ou quinto dia nos primeiros anos (2009-2018), e mais recentemente (2019-2021), no terceiro e sétimo dia”, explicou, continuando: “Recolhemos dados relativos ao índice de MOAHLFA, particularmente a localização da dermatite, especificando-a entre mão, face, perna ou pé”.

Quanto aos resultados obtidos, Tiago Fernandes Gomes referiu que “foram testados cerca de quatro mil doentes na Unidade de Alergia de Contacto, dos quais 482 doentes foram testados com antifúngicos tópicos”, sendo que estes últimos “eram doentes mais velhos, com menos atopia, menos eczema da mão e da face, e mais eczema da perna e do pé”. Dentro deste último grupo, 27 doentes apresentaram alergia de contacto a antifúngicos e quando comparadas as variáveis, observou-se “que o eczema do pé foi estatisticamente mais frequente”, em cerca de 40%.

Especificamente sobre as reações positivas aos antifúngicos tópicos, notou-se que “o nitrato de econazol, o miconazol, o clotrimazol e o tioconazol foram os mais frequentemente encontrados”. Além disso, houve “15 doentes com reações positivas a dois ou mais antifúngicos tópicos” e, “mais uma vez, o econazol, o miconazol e o tioconazol foram os mais frequentes”. “Um aspeto interessante é que cinco das reações ao tioconazol não teriam sido detetadas se não tivéssemos feito testes especifica[1]mente para o tioconazol”, realçou. Depois de apresentar outros resultados, Tiago Fernandes Gomes concluiu a sua comunicação oral, assinalando:

› A alergia de contacto a antifúngicos tópicos não foi comum (<1%);

› Ainda assim, recomenda-se que os doentes sejam testados, principalmente se tiverem dermatite do pé;

› Sugere-se que o rastreio seja feito com econazol e tioconazol (em vez de econazol + miconazol);

› Deve ter-se também em atenção doentes com alergia de contacto a imidazóis porque mais de metade destes têm sensibilizações a ≥ antifúngicos tópicos. E, portanto, estes doentes devem ser testados com testes epicutâneos com uma série alargada de antifúngicos tópicos para se encontrar o antifúngico ideal para o tratamento da dermatite.

O evento deu destaque ao trabalho desenvolvido pelos Serviços de todo o país, em sessões de Comunicações Orais para apresentação de estudos que abrangeram tópicos como a doença inflamatória e a alergia cutânea, entre muitos outros. Saiba mais na edição 133 do Jornal Médico.